MP-SP investiga funcionária fantasma na Alesp que recebia R$ 20 mil por mês

A comissionada Cintia Medrado de Lorena, era comandada pelo deputado Edmir Chedid, do DEM, mas segundo a denúncia, atuava como advogada no Vale do Paraíba . Atualmente a advogada trabalha como Diretora de Departamento na Prefeitura de Cachoeira Paulista, SP

 

Fonte: Rádio CBN

Por Denise Ribeiro 

 

Mais uma denúncia de funcionária fantasma na Assembleia Legislativa de São Paulo e, outra vez, envolvendo o democrata Edmir Chedid. Após a abertura de inquérito no Ministério Público, uma advogada que era lotada na segunda secretaria pediu exoneração do cargo que rendia mais de R$ 20 mil por mês.

 

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Advogada Cintia Medrado / Foto: Facebook

Cintia Medrado de Aguiar foi contratada em 2013, mas a suspeita é de que ela não aparecia para trabalhar. A advogada mora em Lorena, a cerca de 200km da capital.

 

Segundo a denúncia, Cintia atuava em fóruns do interior de São Paulo enquanto deveria trabalhar na Assembleia. Ela pediu exoneração em janeiro deste ano, depois que foi chamada para dar explicações no Ministério Público.

 

O democrata Edmir Chedid coleciona um histórico de funcionários fantasmas. Nos últimos anos foram pelo menos sete denúncias envolvendo o parlamentar e cinco comissionados foram desligados depois que os casos vieram à tona.

 

Além disso, o Ministério Público apura ainda um esquema na Assembleia Legislativa de São Paulo em que funcionários teriam que devolver parte dos salários. Edmir Chedid foi denunciado porque seria beneficiado nesse esquema. O caso segue em sigilo, já que Chedid tem foro privilegiado.

 

Nessa quinta-feira (02) o parlamentar foi procurado pela reportagem CBN, mas não quis falar o assunto. A assessoria de comunicação da Assembleia também não comentou o caso. Em nota, a defesa da advogada Cintia Medrado disse que ela prestou serviços a Alesp e que nunca foi funcionária fantasma.

 

OUTRO LADO

O advogado Lucas Andreucci falou que a cliente pediu exoneração por motivos pessoais, que ela vai provar a inocência e que está à disposição do Ministério Público.

 

A advogada Cintia Medrado que foi casada ou ainda é com o ex-vereador Wagner da Silva (Vaguinho), atualmente trabalha como comissionada no cargo de Diretora de Departamento na Prefeitura de Cachoeira Paulista, nomeada pelo prefeito Edson Mendes Mota (PR).

 

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Imagem: Reprodução/Portal da Transparência

 

O deputado já foi alvo de outras denúncias no Ministério Público como mostra esta matéria abaixo do SPTV

 

Quatro funcionárias ‘fantasmas’ da Assembleia de SP são exoneradas

Servidoras recebiam juntas R$ 62 mil em salários; SPTV investigou caso. Ministério Público vai apurar se houve prejuízo para os cofres públicos.

 

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/08/quatro-funcionarias-fantasmas-da-assembleia-de-sp-sao-exoneradas.html

Jean Raupp, Roberta Giacomoni, William Santos e Christian Bainesda TV Globo, em São Paulo

 

Quatro funcionárias da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), que juntas recebiam R$ 62 mil mensais em salários, foram exoneradas neste sábado (13), de acordo com publicação do ‘Diário Oficial do Estado de São Paulo’. Elas foram exoneradas pela Mesa Diretora da Alesp. A informação é do SPTV, que há 15 dias investigava a situação irregular das servidoras. O Ministério Público vai apurar se houve prejuízo para os cofres públicos e enriquecimento ilícito a partir de segunda-feira (15).
O SPTV apurou que  Maria Conceição Motta, Patricia Jorge, Rosimara de Almeida Barbosa e Solange Aparecida Del Roio deveriam trabalhar na capital, mas atuavam em Bragança Paulista, no interior do estado. Elas passavam os dias no escritório político do deputado estadual Edmir Chedid (DEM), na cidade a 100 quilômetros de São Paulo.

 

Maria Conceição esteve no comitê do político, em Bragança, no dia 28 de julho. Ela ficou numa sala, com mesa e computador. E em outros três dias, as imagens mostram ela chegando de manhã cedo. Em dois dias, Patrícia Jorge também apareceu entrando no escritório do deputado.

 

FICHAS DAS SERVIDORAS

Patrícia Jorge

Assessora especial parlamentar desde maio de 2015 no Núcleo de Avaliação Estratégica (NAE), que avalia o desempenho dos serviços e dos servidores públicos.

salário: R$ 19.567,19
Maria Conceição Motta

Assessora especial parlamentar desde junho de 2015 no NAE

salário: R$ 19.567,19.

 

Na sexta-feira (12), em Bragança, produtores tentaram descobrir o que as servidoras da Assembleia faziam no escritório do deputado, durante o expediente de trabalho.
Maria Conceição concordou em gravar entrevista:

 

Maria Conceição – Nós não prestamos serviços para o deputado Edmir Chedid. Nós prestamos serviço para o NAE.
SPTV – No escritório do deputado?

 

Maria – Na casa do pai do deputado, e se precisar o deputado disse pra usar aquela salinha. Tá à disposição.
SPTV – Mesmo sabendo que pela questão administrativa isso é errado?

Maria – Não. Eu não acho que seja errado. Não é dinheiro da Assembleia. Isso é o escritório particular do deputado Edmir.

 

No mesmo escritório do deputado – em dias úteis, em horário comercial –  a reportagem registrou a circulação de mais duas funcionárias da assembleia na capital: Rosimara e Solange.

 

FICHAS DAS SERVIDORAS:

 

Rosimara de Almeida Barbosa

Assistente parlamentar há quatro meses na Divisão de Transportes da Alesp

salário: R$ 2.944,99

Solange Aparecida Del Roio

Assessora especial parlamentar da Corregedoria da Alesp desde maio do ano passado
salário: R$ 20.207,23

 

SPTV procurou as duas na assembleia na sexta-feira, mas não as encontrou na Divisão de Transportes e nem na Corregedoria.

 

Procurada pela reportagem, a presidência da Assembleia informou que, se houver indícios de desvio de função, vai investigar e punir os culpados.

 

O curioso é que três dessas quatro funcionárias que aparecem na reportagem estão lotadas em departamentos que existem para avaliar o desempenho dos serviços e dos servidores públicos, e para manter a ordem e a disciplina dentro da assembleia.

 

A produção procurou na sexta o deputado Edmir Chedid. Em nota, a assessoria dele alegou não haver qualquer irregularidade envolvendo as quatro servidoras. Informou que o regulamento da assembleia permite que a servidora da divisão de transporte trabalhe em outro município.

 

A assessoria do polícia reiterou ainda que as funcionárias do núcleo de ações estratégicas usavam o escritório do deputado para terminar um relatório. E que a ausência da funcionária da Corregedoria não prejudica o trabalho dela.

 

O Diário Oficial do Estado deste sábado, no entanto, publicou a exoneração das quatro servidoras, que juntas recebiam R$ 62 mil mensais em salários.

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