Boas-vindas à literatura

 

Por Madalena Daltro Fonseca

 

Em um encontro casual, numa conversa simples do cotidiano, surgem para mim algumas destas questões: como faço para gostar de ler? Como faço para que meu filho goste de ler? Ou afirmações do tipo: queria ter tempo pra ler; não leio porque não gosto, mas queria gostar de ler; ou até mesmo: não leio porque tenho preguiça.

 

Por conta dessas questões, demandadas pelos nossos concidadãos, é que esta crônica inaugura a coluna: Cultura e Literatura, que vai tentar inspirar, motivar, estimular e colaborar para que a literatura chegue mais perto de todos. E este é o caminho mesmo, afinal de contas, não vemos propagandas de livros por aí a torto e a direito, ou na TV, como vemos de outros produtos, não é mesmo?

 

Sobre o gostar de ler e o ter tempo para ler, existe uma longa história, muitos fatores podem ser enumerados para explicar o motivo do baixo índice de leitores no Brasil, mas intenção aqui é mostrar que é possível reverter esta realidade.

E se você me disser, mas mudar a realidade de um país, assim? Respondo: sim!

 

 “não se terá um grande Newton enquanto não se gerar um número considerável de pequenos Newtons.”

 

Esta fala é de uma das mais inovadoras escritoras da literatura inglesa: Virgínia Woolf (1882-1941) Então se não podemos ser Newton, seremos os pequenos Newtons.

 

Seguirei com ela na sequência dos demais trechos destacados.

 

 “E então, continuando a leitura dessas páginas, chegava-se a outros sinais da extraordinária vitalidade do espírito humano. Aquela energia inata que resistia a todos os partos e a todas as lavagens, tinha se estendido. (…) tinha apoiado os poemas de Burns na tampa de uma travessa para ler enquanto cozinhavam. Liam às refeições; liam antes de ir para a fábrica (…) liam com a voracidade indiscriminada de um apetite famélico (faminto) de que se entope de caramelos, carnes, tortas, vinagre e champagne, tudo ao mesmo tempo.”

 

Essas mulheres tinham como motivação, não só o prazer que a leitura proporcionava, mas também a intenção de melhorar a dura realidade em que viviam, e é isso que a literatura promove na vida das pessoas: melhorias, transformações, desenvolvimento humano…

 

 “Naturalmente a leitura levou à argumentação. A geração mais nova teve a ousadia de dizer que a rainha Vitória não era melhor do que uma faxineira honesta que criou os filhos com dignidade.”

 

Costumo dizer que um livro é como uma roupa, pode não servir em uma pessoa; seja pelo tamanho, pela qualidade do tecido, mas servirá em outra, por isso, não hesite em passar adiante o livro (ou a roupa) que não te serve, porque poderá servir para transformar a vida de outra pessoa, e assim, de mão em mão, se ainda não chegou, um dia chegará o livro que irá mudar a sua vida, e ainda não será o fim…

 

Madalena Daltro Fonseca é escritora e mestre em Gestão e Auditoria Ambiental pela Universidad de León.

 

 

 

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